
Um dos maiores absurdos ensinados às crianças é o conceito de animal “irracional”, que reduz os animais a criaturas sem memória, sem cultura, sem capacidade de aprender. Simples bestas sem mente cujo único propósito é servir e alimentar à raça humana.
Todos os anos, biólogos do mundo inteiro divulgam pesquisas que contestam a tese, e sugerem que os animais são dotados de capacidades ainda que rudimentares, de adquirir e também de transmitir conhecimento. Nem é preciso ir muito longe, qualquer um que tem um cachorro ou um gato sabe da capacidade dos animais de interpretar estímulos verbais, físicos e até mesmo meta-físicos, como por exemplo saber com minutos de antecedência que o dono está chegando em casa. Esses comportamentos vão muito além do simples condicionamento, e são nada menos que um diferente tipo de inteligência.
Os macacos-prego são conhecidos pela sua capacidade de aprender a usar ferramentas – como pedras – para abrir cocos. Testes da capacidade intelectual dos chipanzés mostram que eles são capazes não só de aprender palavras mas também organizá-las em frases de até quatro palavras.
Polvos são capazes de memorizar caminhos em labirintos, abrir potes, quebrar garrafas de vidro para obter seu conteúdo, entre outros. Sua percepção sensorial é tão avançada que em diversos países como os EUA, é proibido realizar experiências com os moluscos sem a aplicação de anestesia.
Focas ensinam os filhotes a abrir mexilhões utilizando pedras. Golfinhos emitem sons específicos quando encontram com seus “conhecidos”, o que sugere que eles têm a capacidade de dar e atender por nomes.
Abelhas e formigas transmitem com precisão a localização de comida aos outros membros de sua colônia. Protegem com voracidade os seus e sabem distinguir aqueles que pertencem a outras comunidades.
Porcos e vacas choram ao ir para o matadouro ou quando ouvem um de seus companheiros ser sacrificado.
Os céticos argumentam que esses comportamentos são puramente instintivos. Que o que os biólogos começam a chamar de inteligência e cultura animais não passam de equívocos irrelevantes quanto à posição inferior dos animais no planeta. Que os quase 22 bilhões (mais de 3 vezes e meia a população humana) de suínos, bovinos e aves criados pela pecuária servem exclusivamente para a nossa alimentação, e não têm direito à vida ou à liberdade.
O consenso é quase impossível, pois existem argumentos culturais, filosóficos, religiosos, científicos e morais pesando em todos os aspectos da questão. Mas todos sabemos que, no final, o que conta mesmo é a opinião que cada um chega após refletir sobre a lógica e, principalmente, ouvir o coração.
O que o seu lhe diz?