Foi realizado na última terça, 06/03 no MASP, em SP, o 54º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz. A pauta do dia, conduzida por Fábio Feldmann não poderia ser outra: a iminência das graves consequências do aquecimento global. O papel da sociedade no novo – e nada agradável mundo – que está por vir.
O auditório do Masp estava praticamente lotado. Se por um lado fico esperançoso nesse novo boom de consciência que parece estar se espalhando mundo afora, por outro ainda fico desanimado com a postura totalmente alienada de uma grande parte da população, especialmente os mais ricos, que deveriam ser mais informados.
Não se trata mais de um vago “se” ou um “quando” distante. Já está acontecendo, já aconteceu, com os tornados nos EUA, as ondas de calor na Europa, a Praia da Enseada desaparecendo ano a ano, as minhas plantinhas morrendo na varanda de casa. O que me deixa absolutamente desapontado é o fato das pessoas ainda poetizarem sobre um futuro distante e a responsabilidade das futuras gerações ou dos países desenvolvidos. Tinha gente que pegava o microfone para fazer perguntas e soltava coisas do tipo “Ah, mas é difícil mudar um adulto, é mais fácil mudar uma criança e…” ou então “Ah, não adianta nada eu parar de comer carne e desligar o ar condicionado porque a China polui muito mais…”
O que muita gente não sabe é que o Brasil é o quarto maior poluidor do mundo, graças ao desmatamento da Amazônia e ao bife que ninguém quer deixar de comer, que custa “apenas” 15.000 litros de água. O que as pessoas não percebem é que não é só o bife que elas comem. É a carne que é exportada, a água, o solo e vão por tabela. “As guerras no futuro serão pela água“, é o que dizem, sem perceber que isso já está acontecendo há décadas.
Falar em educação agora também é muito fácil, como o nosso querido presidente faz. Sempre que tem uma tragédia no Rio ou em SP envolvendo uma criança, ele tem a pachorra de ir à TV fazer discurso sobre a qualidade do ensino enquanto a família ainda chora a perda. Mas é exatamente isso que as pessoas fazem quando relegam a mudança de hábitos de consumo às futuras gerações e aproveitam a festa enquanto ela não acaba. Acho que ainda não caiu a ficha de que as mudanças já estão em curso, e se a humanidade inteira não se unir para agir agora, talvez as próximas gerações nem cheguem.
A catástrofe é inevitável, o que podemos fazer agora é tentar minimizá-la através da conscientização e da mudança de hábitos de consumo. Então, faça a sua parte. Deixe o carro em casa, desligue o ar condicionado, reduza o consumo de carne animal, recicle e faça tudo mais que estiver ao seu alcance. Quem sabe assim, não podemos ter uma chance…
Outras maneiras de mudar o mundo:|
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