A seção “Equilíbrio” da Folha de São Paulo novamente traz informações interessantes para os que se preocupam com alimentação responsável. O tema do encarte desta semana é a alimentação orgânica, e discute a relação custo-benefício de alguns produtos.
A premissa principal da reportagem é que o consumo de orgânicos é motivada pela quantidade de agrotóxicos ou aditivos químicos presentes nos alimentos convencionais, listando alguns produtos que não oferecem diferenças significativas no momento do consumo. Mandioca, por exemplo, por mais que tenha presença com produtos químicos, é descascada antes do consumo, o que torna o grau de ingestão de agrotóxicos muito baixo. Outras opções pouco vantajosas, segundo a reportagem, incluem carne de boi e vinho orgânico, pelas restrições no uso de aditivos químicos na própria produção convencional.
O perigo desse tipo de reportagem é passar ao público a limitada noção de que o consumo de orgânicos é uma atitude motivada exclusivamente pela saúde pessoal. O movimento para produtos orgânicos não objetiva somente diminuir a ingestão de agrotóxicos: é também uma afronta a toda a cadeia produtiva de químicos nocivos à saúde humana e ao ambiente. A indústria de produção de químicos agrotóxicos e fertilizantes é das mais poluentes que existe, e as grandes corporações que dominam o mercado desses produtos estão entre os maiores poluidores do planeta. A própria cadeia de distribuição de aditivos químicos é insustentável por si só, com inúmeros quilômetros percorridos entre a produção e sua utilização nas plantações, e centenas de intermediários entre as empresas e o produtor.
Lembre-se da próxima vez que investir em orgânicos: não é só o seu corpo que está se beneficiando; você está ajudando a quebrar uma cadeia que está destruindo nosso planeta e dando um importante passo em direção a um mundo mais simples.
Confira a reportagem aqui (apenas para assinantes UOL / Folha).
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